Primeira vez que fui ao cinema foi para ver o primeiro filme do Pokémon. Acho que foi em 1999, se não me engano. Quando chegamos, minha mãe, uma vizinha e eu, a fila era enorme (alias até hoje não vi uma fila de cinema como aquela). Compramos as entradas só para uma outra sessão porque a seguinte já estava esgotada. Na compra do ingresso você ganhava um card do Pikachu ou do Mewtwo. Ganhei do Mewtwo mas um garoto me pediu para trocar com ele. Passeamos por horas no Shopping Aricanduva, até que finalmente chegou a hora.
Primeiro eles passam um curta-metragem só com os pokémons. O rosto do Ash e dos outros nem apareciam. Destaque só para os bichinhos. Era uma historinha simples. Eles aparavam para descansar em um lugar onde os pokémons podiam relaxar e se divertir. Lá eles encontram uma outra turma de pokes que, lidera por um Snubull (Caralho! Era um Pokémon novo. Aquilo era demais), começam a arranjar briga. Competição vai competição vem o Charizard acaba com a cabeça presa numa casinha. Eles se unem e ajudam a tirar o dragão de lá (1° lágrimas nos olhos).
Eu não quero falar sobre o filme. Quero falar sobre o que eu senti daquela vez. Mas tudo bem. O longa começa com a música de abertura do desenho cantada diferente e com uma puta luta entre Donphan (outro Pokémon novo) e o Bulbassauro do Ash (2° lágrimas nos olhos). Nem precisa falar quem ganha, Bulbassauro é o Anderson Silva do tipo grama. Logo depois dessa luta de abertura aparece um Dragonite (!!!) com uma ‘carta holograma’ convocando Ash para um encontro com os melhores treinadores e bla bla bla.
Tudo é uma tramóia do Mewtwo. Ele descobriu que na verdade é um clone do lendário Mew e por isso se revoltou contra os humanos. Matou todos cientista do laboratório e fugiu para se vingar. Mewtwo que convocou os treinadores, mas só alguns conseguiram chegar ao castelo dele. Na verdade ele não tava nem aí para os treinadores. Ele queria os Pokémons. Captura todos com umas poké-bolas negras. O mais difícil de capturar, claro, foi o Pikahu. Ash protegeu ele até a última lá no alto da escada, mas não deu. Todos devidamente pegos e clonados.
Bem, acontece alguma coisa que os pokes escapam, mas já haviam sido clonados. Começa, então, uma puta batalha entre os clones. Os clones eram geneticamente superiores e os originais estavam levando um pau. Mas agüentavam firmemente. Nisso o Mew já tinha aparecido e estava lá tretando com o Mewtwo. Ninguém agüentava mais nada. Pikachu não queria lutar, ele sabia que aquilo não levaria a nada. Nem o clone do Meowth (o ‘miau’ da Equipe Rocket).
Ash não agüenta mais ver aquilo e inventa de interferir na briga dos dois super-pokémons. Acaba ficando no meio do ataque deles e acaba virando pedra. Choradeira total. Minha, da minha mãe, do Pikachu, de todos os pokémons que estavam presentes e de todos presentes no cinema.
Não vou mais falar sobre o filme. Apesar de lembrar de muitos outros detalhes. A Equipe Rocket consegue entrar no castelo do Mewtwo, claro. Fazem a brincadeira clássica do ‘quem é esse Pokémon?’. O filme é muito bem feito. Bem mais maduro que os episódios. Nos episódios você talvez se emocione em alguns clássicos como no que o Pikachu quase vai embora, na despedida da Butterfree ou naquela puta luta contra o Tenente Surge e o seu Raichu. Mas em nenhum episódio o nó na garganta é tão grande como nesse primeiro filme.
Não tenho vergonha de falar que fui um grande fã de Pokémon e que ainda me pego assistindo na rede TV. Há coisas que sempre nos marcam muito durante nossa infância. Hoje, agora, enquanto escrevo esse texto eu entendo o sentimento dos fãs de Justin Bieber. Sabe, a paixão que você tem com algo que está completamente distante de você, que você simplesmente admira, se emociona. Os mais velhos sempre dizem que quando você crescer você se envergonhará dos seus antigos gostos. Bem, eu sou um desses mais velhos agora, e isso é mentira.

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